Casamento antigamente

c98037e4-57f3-425b-925d-262c5faee43a

O casamento sempre será um momento de intensa emoção para as mulheres, não importa a idade ou se é o primeiro, o segundo ou o terceiro deles.

O ato de casar com o ser amado significa o auge do desejo de amor, de união e de felicidade.

Desde o tempo em que os humanos incorporaram o divino em suas vidas, trataram de sacralizar os momentos mais importantes. Aquele instante onde nascia um novo casal pedia a proteção das entidades divinas protetoras. Foi assim que cada passo foi cuidadosamente ritualizado, com ornamentos simbolizando as forças da natureza, palavras mágicas e gestos perpetuados até os dias de hoje.

Na França, em particular, pude observar nas minhas pesquisas os vestígios desses rituais oriundos de povos animistas, como os Celtas e os Germânicos. Rituais greco-romanos afloram também, principalmente no âmbito dos alimentos servidos nessa ocasião.

 

Em todos os vilarejos da França, antigamente, o casamento figurava como uma data de prima importância, representando a renovação, a perpetuação das gerações, a permanência da comunidade no tempo e no espaço. Obedecia a rituais precisos, perpetuados por séculos a fio, em todo o país, com algumas particularidades regionais.

O pedido de casamento oficial acontecia na casa dos pais da noiva. Logo depois de um almoço ou de um jantar, as duas famílias se reuniam frente a grande lareira em silêncio e o pretendente ou seu pai pronunciava o pedido. A moça se dirigia então para o fogo e com as pinças na mão, reunia as brasas em um pequeno montículo e animava as chamas, caso aceitasse. Se ela recusasse o pedido, espalhava os galhos incandescentes e dispersava o fogo.

 

Nos dias seguintes, munidos de uma cesta cheia de amêndoas confeitadas, o noivo acompanhado de seus amigos ia de casa em casa formalizando o convite para a grande festa aos convidados. Não era raro ter que convidar o vilarejo inteiro, afinal, todos tinham algum grau de parentesco. Durante essas visitas, era frequente o padrinho e a madrinha do primeiro future bebe já serem escolhidos e notificados.

O grande dia chegou, os sinos tocam desde cedo, anunciando as festividades. As amigas da noiva vão buscá-la com imagens da Virgem Maria bordadas em belos tecidos e colocam sobre a sua cabeça uma coroa de flores de laranjeira. Em algumas regiões, durante a cerimônia, um parente bate 3 vezes com uma faca na sola dos sapatos dos noivos para afastar malefícios, brigas e inveja do futuro lar. Na saída da igreja, no meio da praça, monta-se uma mesa com pão e uma garrafa de vinho e, às vezes, biscoitos e vinho doce. Os noivos mordem o pão e bebem o vinho diretamente do gargalo, sinal da comunhão que os une agora, em algumas regiões, dão à noiva um caldo muito forte, apimentado e condimentado para ela tomar. O caldo representava as turbulências pelas que ela iria atravessar, por vezes, na sua nova vida. Os jovens amigos amaram então fitas coloridas nas roupas dos noivos e acompanham o cortejo carregando flores e galhos de arvores. Todos se dirigem a casa do pai da noiva. A porta está trancada e quando ela bate, pedindo que a abram, a voz do pai responde de dentro da casa: “Essa não é mais a sua moradia”. Ela insiste e o pai abre a porta, abraçando-a. Um bolo é servido e os convidados jogam sementes na cabeça dos recém-casados, desejando prosperidade e prole numerosa. As festividades continuam e ocorre então o almoço, servido sobre enormes mesas cobertas de lençóis brancos, inúmeros pratos foram preparados e frequentemente, um barril de vinho de 230 litros é aberto: o momento em que secar sinaliza o final da refeição. Mas é á noite que haverá o grande jantar nupcial oferecido pelos pais da noiva.

A tradição pede que seja o noivo que receba as travessas e que ele as deposite sobre a mesa vestindo um avental branco e nenhum recém casado iria dispensar o gesto. Simbolicamente, ele declara a todos que, doravante, ele é o mestre da casa e que vai perpetuar a generosidade e a hospitalidade tão prezada pelos camponeses da velha França. No final, o bolo nupcial é servido e as amigas da noiva lhe entregam os presentes de casamento que compraram para ela, entre os quais figura sempre uma pequena almofada bordada sobre a qual, a noiva conservará pela vida toda, o seu buquê de flores, coberto por uma cúpula de vidro.

Essa é uma linda tradição de minha terra que pode servir de inspiração a todas vocês. Desejo que as flores que embelezarem esse dia mágico permaneçam eternamente com vocês.

 

Patricia De Genova Noci
contato@tabledhotes.com.br
tabledhotes.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *